A aplicação de novas tarifas de importação a produtos brasileiros, de 25%, foi anunciada pelo governo dos Estados Unidos. A cobrança adicional passará a ser feita em 22 de julho, com exceções para itens que estiverem em trânsito e ingressem no país americano até 29 de julho.
A medida inclui produtos manufaturados, como móveis, incluindo residenciais e corporativos, colchões e diferentes produtos fabricados em madeira, metal ou plástico. No caso de madeira, há exceção para determinados itens. A tarifa foi adotada após uma investigação feita contra o Brasil, por meio da Seção 301, iniciada em julho de 2025.
O USTR, órgão do governo americano, concluiu que o Brasil age de forma não razoável no comércio bilateral, por práticas como o uso do PIX, a taxação do etanol americano e a falta de combate à corrupção e ao desmatamento. A decisão foi chancelada pelo presidente Donald Trump.
Segundo a FIESC – Federação das Indústrias de Santa Catarina, a nova estrutura tarifária imposta pelo governo dos Estados Unidos altera as alíquotas para uma tarifa nominal máxima que passará de 50% (no primeiro tarifaço) para 37,5% no regime proposto para julho de 2026.
No entanto, o estudo demonstra que a tarifa efetiva – que reflete o impacto competitivo que a indústria de fato suporta no mercado de destino e também a pauta de exportações de SC – passará de 47,8% no Estado no primeiro tarifaço, para 35,9%.
“Essa aparente redução de alíquotas nominais esconde um cenário adverso: os principais concorrentes internacionais do Brasil passarão a ser beneficiados com tarifas mais baixas. Com isso, a vantagem competitiva dos produtos de SC no mercado americano segue prejudicada”, avalia o economista-chefe da FIESC, Pablo Bittencourt.
IMPACTO LOCAL
Desde o primeiro tarifaço, anunciado em julho de 2025, o polo moveleiro de São Bento do Sul vem sentindo os efeitos da medida. Os Estados Unidos eram responsáveis por mais de 60% dos móveis exportados pelas indústrias de São Bento do Sul, Campo Alegre e Rio Negrinho. No primeiro semestre de 2026, as vendas para o país americano registraram uma queda de 62% sobre o mesmo período do ano passado.
IMPACTO ESTADUAL
Estudo da FIESC – Federação das Indústrias de Santa Catarina mostra que 54,5% da pauta exportadora do Estado será afetada com as novas alíquotas. A medida “O tamanho do mercado americano dá aos Estados Unidos uma elevada capacidade de negociação com qualquer parceiro do mundo. Por isso, a FIESC esperava do governo federal mais empenho diplomático e técnico e menos discurso de soberania”, avalia o presidente Gilberto Seleme.
Na avaliação da FIESC, dada a magnitude da negociação, a expectativa é de que o governo federal compreenda que este não é o momento de acionar mecanismos como o da reciprocidade tarifária, que podem agravar ainda mais a situação. “A FIESC e a CNI mantiveram, nos Estados Unidos, esforços intensos de diplomacia empresarial para reverter a recomendação do USTR ao presidente Trump, mas a falta de humildade política do governo federal comprometeu o resultado dessa articulação”, declarou Seleme.
A FIESC salienta que o “Segundo Tarifaço” deve repetir os efeitos negativos da primeira elevação das tarifas, quando as exportações catarinenses para os EUA recuaram 38,2% e o Estado deixou de gerar cerca de 7,6 mil postos de trabalho.
As novas tarifas vão atingir 54,5% do valor das exportações de SC. Além disso, 40,3% do valor exportado pelo estado para os Estados Unidos já estão sendo tarifadas sob a seção 232. O que resulta em apenas 5,2% das vendas aos EUA isentas de sobretaxas de qualquer natureza.
O impacto maior está concentrado em produtos estratégicos para as regiões Serrana, Oeste e Planalto Norte, territórios que já enfrentam grandes desafios ao desenvolvimento. Na visão de Seleme, o tarifaço é ruim para o Brasil e para Santa Catarina, mas também é ruim para os próprios americanos, que pagarão mais caro pelos produtos importados. “Esse é o argumento que precisa ser explorado com técnica e inteligência.”





